Isto não constitui aconselhamento de investimento. As informações fornecidas destinam-se apenas a fins educacionais e informativos e não constituem uma recomendação para comprar ou vender qualquer produto financeiro.
Gerir o risco em produtos alavancados é estruturalmente diferente de gerir o risco em posições sem alavancagem, porque o próprio produto faz o trabalho de multiplicar a variação diária do ativo subjacente. O trabalho do trader é controlar quanto do produto o trader detém e manter essa quantidade suficientemente pequena para que um dia mau não acabe com a conta.
O produto multiplica o retorno diário do ativo subjacente. O trader multiplica o próprio risco do trader ao deter demasiado do produto, e o segundo multiplicador é o que produz a perda catastrófica.
Use o produto para o que foi concebido
A primeira regra é usar o produto para o caso de uso para o qual foi concebido. Os produtos alavancados foram concebidos para posicionamento tatico de curto prazo e para cobertura (hedging) de janelas de risco especificas. O produto nao foi concebido para investimento buy-and-hold, porque o reset diario, o custo de financiamento e o risco de gap se acumulam ao longo do tempo, e a capitalizacao (compounding) é o que produz o arrasto do retorno no longo prazo.
Um trader que detem um produto alavancado 2× ou 3× durante um ano num mercado instavel (choppy) produz um retorno bem abaixo de 2× ou 3× do retorno do ativo subjacente, e o retorno pode ser negativo mesmo quando o subjacente é positivo. O trader que usa o produto por alguns dias e sai (exits) produz um retorno que é aproximadamente o multiplo vezes o movimento do subjacente nesses dias.
Dimensione para uma percentagem pequena da conta
O controlo de risco mais importante é o tamanho da posição. Um trader que aloca 5-10% da conta para uma posição alavancada está a assumir uma aposta significativa, mas recuperável. Um trader que aloca 30-50% da conta para uma posição alavancada está a assumir uma aposta que pode eliminar a conta numa única sessão má.
A resposta honesta é tratar a posição alavancada como um orçamento de risco de uma única operação, e não como uma alocação de carteira. A posição deve ser dimensionada pelo risco em dólares que o trader está disposto a assumir no trade, e o risco em dólares deve ser uma percentagem pequena da conta. A alavancagem do produto é um efeito de segunda ordem; o tamanho da posição é o efeito de primeira ordem.
Use um stop, dimensionado para a volatilidade
O stop num produto alavancado deve ser mais apertado do que o stop numa posição não alavancada no mesmo ativo subjacente, porque o produto amplifica o movimento diário. Um stop de 5% num produto 2× é uma perda de 10% no capital do trader, e uma perda de 10% é uma parte significativa do orçamento de risco para uma única operação.
O stop deve ser colocado num nível que corresponda ao ponto de invalidação da estratégia. Um trader tático que usa um produto alavancado para explorar um movimento de curto prazo coloca o stop abaixo do nível que invalidaria a operação. O stop não é um valor para “devolver”; o stop é o nível em que o trader está errado.
Evite manter durante eventos conhecidos
O risco de gap num produto alavancado é mais agudo ao longo de um fim de semana, num feriado ou num evento conhecido. O produto é reavaliado no fecho, mas o trader pode manter através de um gap na próxima abertura. Um gap de -3% no ativo subjacente produz uma perda de 6% num produto alavancado 2×, além de qualquer perda diária que o produto já tenha sofrido.
O trader que mantém uma posição alavancada durante um evento conhecido (uma divulgação de resultados, uma reunião da Fed, uma publicação de CPI) está a assumir o risco de gap conscientemente, e o risco de gap é a causa mais comum de grandes perdas para traders de retalho que usam alavancagem. A solução é mecânica: o trader fecha ou reduz a posição antes do evento e volta a entrar depois de o gap ter ocorrido.
Acompanhe o custo de financiamento
O custo de financiamento de um produto alavancado é a taxa diária cobrada pela parte emprestada da exposição. O custo é pequeno por dia e significativo ao longo de semanas. Um produto alavancado 2× com uma taxa anual de financiamento de 5% custa ao trader 2,5% do valor nocional por ano, e o custo é cobrado mesmo quando o produto está estável.
O trader que usa o produto para uma posição tática de curto prazo paga o custo de financiamento por um pequeno número de dias, e o custo é aceitável. O trader que usa o produto para uma posição de vários meses paga o custo de financiamento durante todo o período, e o custo é um verdadeiro fator de arrasto no retorno. O trader que usa o produto para uma manutenção de longo prazo está a pagar o custo indefinidamente, e o custo é a razão pela qual as manutenções de longo prazo têm desempenho inferior.
Perguntas comuns
Quanto da conta um produto alavancado deve ocupar? Um produto alavancado deve ocupar uma percentagem pequena da conta do trader, dimensionada pelo risco em dólares que o trader está disposto a assumir. A maioria dos gestores profissionais de risco limita a exposição a um único produto a 5-10% da conta.
Os ETF alavancados são mais arriscados do que os CFDs alavancados? Ambos amplificam o movimento diário, mas a estrutura de custos é diferente. Os ETF cobram uma taxa de despesas (expense ratio) e são reajustados diariamente. Os CFDs cobram uma taxa de financiamento diária sem reajuste. A escolha certa depende do período de detenção.
Qual é o maior risco dos produtos alavancados? A capitalização (compounding) de pequenas perdas ao longo de um período de detenção longo e o risco de gap durante o fim de semana. A capitalização corrói os retornos ao longo de meses; o gap pode eliminar a posição numa única sessão.
Um iniciante deve usar produtos alavancados? Um iniciante deve geralmente evitá-los até ter um orçamento de risco em funcionamento, uma estratégia testada e um histórico (track record) em posições sem alavancagem. A alavancagem amplifica o custo da curva de aprendizagem.
Recursos relacionados
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Por onde começar
Se estiver a avaliar um produto alavancado, as funcionalidades mais úteis para comparar são a taxa de alavancagem, a política de reinício diário, o custo de financiamento e o requisito de margem de manutenção. O nosso broker comparison lista a alavancagem disponível em cada broker e o regulador que supervisiona a conta, o que, em conjunto, lhe mostra como ficam o custo e o risco antes de dimensionar a posição.