Isto não constitui aconselhamento de investimento. As informações fornecidas destinam-se apenas a fins educacionais e informativos e não constituem uma recomendação para comprar ou vender qualquer produto financeiro.
Usar alavancagem para gerir uma responsabilidade parece um movimento incomum, mas a prática é mais comum do que a forma como é apresentada sugere. Um trader que contrai empréstimos contra um portefólio para financiar uma entrada, para fazer a ponte entre uma lacuna de fluxo de caixa, ou para refinanciar uma dívida de custo mais elevado está a usar alavancagem para gerir uma responsabilidade. A questão é se a operação vale a pena, e a resposta depende do custo da alavancagem, do custo da alternativa e do risco que a posição alavancada impõe ao restante do portefólio.
O que “usar alavancagem para gerir passivos” realmente significa
Um passivo é tudo o que você deve. Uma hipoteca, um empréstimo de margem, uma fatura de impostos, uma chamada de margem, uma compra diferida. Gerir um passivo com alavancagem significa contrair empréstimos em condições favoráveis para lidar com o passivo, em vez de vender um ativo ou reduzir o caixa. A versão mais comum é um empréstimo de margem: o Broker empresta dinheiro contra o portfólio do trader, o trader usa o dinheiro para financiar uma compra ou para quitar uma dívida de custo mais alto, e o trader paga juros sobre o empréstimo.
O caso de uso não é apenas teórico. Um trader com uma hipoteca de baixo custo e um portfólio de ações que pagam dividendos pode contrair empréstimos contra o portfólio a uma taxa de margem abaixo da taxa da hipoteca e usar o dinheiro para abater a hipoteca. O efeito líquido é um custo médio de capital mais baixo. O risco é que uma queda no portfólio dispare uma chamada de margem e o trader seja forçado a vender no pior momento.
O argumento a favor de usar alavancagem desta forma
O argumento mais forte é a arbitragem do custo de capital. Se o custo do emprestimo de margem for inferior ao custo da alternativa, a operacao vale a pena. Um trader com uma hipoteca de 7% e uma taxa de margem de 5% tem uma diferenca de 2% a seu favor. Pagar a hipoteca com o emprestimo de margem reduz o custo medio de capital em 2% por ano, e a operacao e independente do retorno da carteira.
Um segundo caso e fazer a ponte entre uma lacuna de fluxo de caixa. Um trader com uma entrada futura conhecida (um bónus, a venda de um imovel, uma fatura diferida) e uma obrigacao atual pode usar um emprestimo de margem para atravessar a lacuna. O custo do emprestimo e o custo da ponte, e o custo e pequeno em relacao ao custo de perder o pagamento ou ao custo da oportunidade.
Um terceiro caso e preservar um ativo por razoes fiscais ou estrategicas. Um trader que nao quer vender uma acao com baixo custo-base pode usar um emprestimo de margem sobre a posicao para financiar uma compra. O custo do emprestimo e o custo do financiamento, e o custo de vender a acao teria sido uma conta de impostos. A operacao vale a pena se o custo do financiamento for inferior ao custo fiscal.
O caso contra usar alavancagem desta forma
O principal argumento contra é o risco assimétrico. Um recuo de 30% na carteira reduz o patrimônio líquido do trader em 30% na parte não alavancada e, na parte alavancada, o recuo é multiplicado pela razão de alavancagem. Se a carteira cair 30% e a alavancagem for 2×, a parte alavancada cai 60%. O trader é forçado a escolher entre vender no fundo, adicionar dinheiro para atender a chamada de margem, ou entrar em default no empréstimo. Nenhum desses resultados é bom.
Um segundo argumento contra é o teto regulatório. Em algumas jurisdições, o limite de alavancagem para o varejo é de 1:5 para ações importantes. Em outras, é de 1:2. O teto é definido pelo regulador, não pelo trader, e um recuo de carteira que não teria disparado uma chamada de margem em uma jurisdição pode disparar em outra. O trader deve planejar para a jurisdição mais restritiva à qual possa estar sujeito.
Um terceiro argumento contra é o custo do empréstimo em relação à alternativa. Um empréstimo de margem a 6% não é barato, e uma hipoteca a 4% não é cara. O caso de arbitragem é real, mas o spread precisa ser suficientemente amplo para valer o risco adicional para a carteira. Um spread de 1% não muda o jogo. Um spread de 3% muda.
Um quarto argumento contra é a capitalização do custo. Um empréstimo de margem é pago diariamente, e o custo é incluído no P&L do trader. O trader pode não ver o custo como um item separado e discreto, mas o custo é real. Uma taxa de margem de 5% em uma posição alavancada em 2× é um arrasto de 5% sobre o capital do trader por ano, além do custo dos ativos subjacentes.
Como decidir
A decisao assenta em tres numeros. O custo do leverage. O custo da alternativa. O risco de um drawdown que despoletaria um margin call. Se a diferenca de custos for positiva e ampla, o risco de drawdown e baixo, e a responsabilidade esta bem definida, o negocio vale a pena. Se qualquer um dos tres for desfavoravel, o negocio nao vale a pena.
Uma disciplina util e dimensionar o emprestimo para uma pequena fracao da carteira. Um emprestimo de 10% contra uma carteira e um ajuste pequeno, com um pequeno impacto negativo e um pequeno risco de drawdown. Um emprestimo de 50% e um ajuste grande, com um grande impacto negativo e um grande risco de drawdown. O tamanho do emprestimo deve ser o menor que atinge o objetivo, nao o maior que o Broker permita.
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Onde começar
Se esta a avaliar corretoras para um emprestimo de margem contra uma carteira, as caracteristicas mais importantes sao a taxa de margem, a margem de manutencao, as garantias elegiveis e a politica de chamada de margem. O nosso comparador de corretoras lista as taxas de margem e as garantias elegiveis em cada corretora, o que, em conjunto, lhe mostra o custo e o nivel de risco antes de financiar o emprestimo.